segunda-feira, dezembro 18, 2006

A mágica do tempo



Não é possível sequer imaginar como o homem na época primitiva vivia dias e dias sem aprender nada. Simplesmente vagava no tempo. Hoje, absorvemos mais em uma um ano de vida que os nossos pais absorveram em uma década ou mais. Engraçado é ver como essa correria frenética que a chamada era do conhecimento nos proporciona, nos faz desejar que o um dia tenha mais que 24 horas. Nunca temos tempo para nada e precisamos sempre de mais tempo para tentar fazer tudo.
As agendas são palm. Os rádios mp3, 4, 5... Os computadores agora são levados na mochila. O saldo bancário consultado pelo celular. Conversas instantâneas da escrivaninha do quarto com o “ficante” lá do Pará. O jornal impresso só lemos completo o de domingo.Nos dias úteis só as manchetes e as chamadas das principais notícias das páginas que salvamos como padrão na abertura da internet. Paquera? Namoro? Não, não há mais tempo para isso. Faz-se tudo pela rede, “você pode estar namorando daqui a cinco minutos”! E o tempo está passando. Os filhos? Ah... os filhos. Esses controlamos pelo celular e pelo boletim. Porque encontros só no final de semana em que não há acampamento na escola ou plantão no trabalho. Aliás, boletim esse que você acessa no computador.
Sentiremos falta da carta escrita a mão, das letras de máquina de escrever, das ligações telefônicas para desejar o feliz natal, de tirar aquela última foto do filme da máquina, de marcar encontros com antecedência e não precisar de celular, de tirar férias e esquecer de tudo. Sentiremos saudades da casa de vó no domingo, da comida caseira que só babá sabe fazer, do banco alto do ônibus, de jogar bola no paralelepípedo, de água da praia limpa, de tomar banho de mangueira na rua, do baile, da piscada de olho, do cheiro de chuva na terra, de dançar para o sol sair e dar praia, de cadernos de perguntas, de bilhetinho na aula, de dançar sozinho, de rir sozinho também, de cinemas enormes e dos lanterninhas, de festa americana, de... tanta coisa. É preciso uma reengenharia do tempo para termos tempo para esta falta de tempo. Aliás, sábio quem inventou o tempo. Quanta mágica há na exata divisão do ano, dos meses, dias, horas, segundos. São precisamente 9.636.000 segundos em um ano de 365 dias e 12 meses com 24 horas por dia. A feliz idéia de uma “virada”. De terminar em 12 e recomeçar do 1. Todos se renovam com o recomeço. Respiramos fundo, damos 7 pulinhos, comemos três sementes, 7 uvas, usamos branco, fazemos pedidos, choramos, abraçamos e já estamos no novo ano. Então, começa tudo outra vez. E que nas nossas promessas de um ano bom encontremos tempo para dar mais tempo para tudo.

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