terça-feira, novembro 10, 2009

A falta que o tempo faz

Usarei o clichê. A velha expressão que o tempo é curto para tantos afazeres.
Depois que virei mãe então, tomar banho com duração maior que 6 minutos e lavar a cabeça passou a ser prêmio mensal. Mas nada me tira a vontade louca de escrever sobre essa magnífica experiência de ser mãe. Todos os dias algo novo que me faz rir, chorar, pensar, repensar, refletir e analisar sobre a vida, o mundo, minhas atitudes, modos, valores... enfim, é uma nova fase. Uma nova e maravilhosa fase que tentarei compartilhar com toda a emoção que vivo e sinto.

quinta-feira, junho 21, 2007

Voluntária e brasileira com muito orgulho


Serei voluntária dos jogos Pan-Americanos do Rio. Há alguns dias, fui chamada para o meu primeiro treinamento, era sobre política e operações dos esportes. Devo começar elogiando o material impresso – manual de treinamento – distribuído a cada um dos voluntários. Qualidade no conteúdo, na objetividade, na impressão, nas cores, nos esquemas, figuras, enfim, ficou muito bom. Além disso, durante o treinamento, vídeos e apresentações foram mostrados aos participantes. Eram imagens dos locais de treinamento, de operários nas obras, de profissionais que já estão envolvidos com este evento há tanto tempo...
Há um mês, comecei a receber os e-mails que solicitavam meu cadastro e participação em diversos procedimentos no portal do voluntário (
www.rio2007.org.br). Cabe aqui também outro elogio. Muito bem elaborado, com muita informação interessante, vale a navegação. Há um sistema específico para agendamento de todas as atividades do voluntário, desde a marcação da retirada do seu kit uniforme, até a sua escala de trabalho. Tudo disponível através do portal.
A mídia tem feito críticas à organização do evento, como por exemplo aos atrasos nas obras. De forma exagerada e por vezes até equivocada, ela acaba falando certas inverdades. O fato é que o Pan é assunto de pauta e será ainda por muitos e muitos dias. Mas, aprendi na academia que a apuração dos dados colhidos para a elaboração da uma matéria deveriam ser conferidos, confirmados. Está faltando apuração a esta imprensa, aliás, faz tempo.
Eu, antes de ser voluntária, sou brasileira, e não desisto nunca. Claro que também já cheguei a pensar que não daria certo ou que não dará tempo. Mas o treinamento arrepiou e motivou. Mesmo que cheguemos aos locais de prova com cheiro de tinta, o que não difícil, Faremos bonito. E eu, tenho muito orgulho de poder fazer parte deste evento, parte da história. Foi emocionante ver a evolução do trabalho, das obras, imagens da nossa cidade associadas ao esporte. Foi bom conhecer meus novos companheiros de labuta e melhor ainda saber que tantos outros ainda irei conhecer.
Fiquei muito emocionada. Estou muito feliz por poder participar deste momento tão importante para o esporte e para a minha cidade.

terça-feira, maio 08, 2007

Final Feliz

Eu acredito em contos de fadas, histórias de muito e muito tempo atrás, em rei e rainhas, príncipes e princesas e acredito no final feliz. Por isso, que nos dias de hoje, devo concordar com Miguel Falabella em sua crônica de uma Rapunzel bem contemporânea.



“Há dias em que precisamos de tranças. Há dias em que a torre parece mais alta. Ah! Rapunzel! Tenho saudades e você. Escreva ade vez em quando. Ou faz um sinal de fumaça.”


O poder da trança
Miguel Falabella

Houve um caso curioso, quando eu era menino: uma das minhas primas, prestes a se casar, descobriu algum segredo inconfessável sobre o noivo e cancelou o casamento que aconteceria dali a pouco dias. Como não havia tempo de avisar a todos os convidados, minha tia vestiu-se com esmero – naqueles tempos, os vestidos eram pensados com muita antecedência e a fazenda comprada depois de muita pesquisa – maquiou-se, penteou-se e postou-se à porta da igreja, com ar compungido, pedindo desculpas pelo transtorno e comunicando que os presentes seriam devolvidos. Nunca soube que segredo foi esse, o nome nunca foi pronunciado, mas acho que todo mundo tinha uma única e definitiva desconfiança. Enfim... Anos depois, na calada da noite (são exatamente 1h33 da manhã e eu escrevo a crônica de véspera para ter algum tempo livre amanhã), lembro dessa história, porque acho que faltou-lhe o começo da história. Explico: em todos os contos de fada, justiça seja feita, somos avisados de que a morte nos ronda, mais cedo ou mais tarde. Há sempre um rei que, antes de morre, deixa alguma herança, ou faz algum pedido para seus filhos, etc e tal. Só que esquecemos desse rei, porque geralmente ele sai de cena cedo e ficamos apenas com o foram felizes para sempre na alma, esperando nossa vez de protagonizar o drama.
Acho que é em “A Psicanálise dos Contos de Fadas”, de Bruno Bettelheim, já não estou bem certo, mas acho que é lá mesmo. Em seus trabalhos com terapia infantil, uma de suas pacientes, uma menina muito nova, rejeitava todas as histórias. Uma após a outra. Ela recusava-se a participar dos jogos propostos. Até que apaixonou-se por Rapunzel. Depois de conhecer a história da jovem presa na torre que consegue salvar-se sozinha, ela começou a melhorar e houve a comunicação. Rapunzel é talvez, a única heroína que resolve seu próprio problema, sem que uma atarefada fada madrinha interfira. É claro que há o príncipe, mas ele não chegará lá no alto, não tivesse ela tido a idéia e, a paciência de deixar crescer os cabelos.
1h45. Fui olhar a casa, dormindo, passei pela televisão ligada no quarto e Hugh Laurie, em mais um episódio de “House”, diz que, no fim das contas, o universo acaba empatando o jogo.
- É verdade? Você acredita mesmo nisso? – pergunta o jovem médico.
- Não. Mas é assim que devemos ser. – ele responde.
Há dias em que precisamos de tranças. Há dias em que a torre parece mais alta. Ah! Rapunzel! Tenho saudades e você. Escreva ade vez em quando. Ou faz um sinal de fumaça.

domingo, abril 22, 2007

Coisa de Capricorniana



Você já teve um cachorro? Pois tenha um e saiba o verdadeiro significado de lealdade. Em dias de indecisões e conflitos, tudo parece mais profundo do que realmente é. Fosse eu não acreditar que nada é por acaso acharia uma coincidência assistir Meu Cachorro Spike. Admiro os filmes baseados em histórias reais. Chorei, claro! Talvez pela sensibilidade que habita meu ser (muito brega isso né?!) ou porque seja emocionante mesmo. Os dias passaram e não mudou muita coisa. Minha feição condena e os amigos, os verdadeiros amigos, tentam me fazer esquecer. Um deles disse: “isso é coisa de capricorniana. Os capriconianos se apegam demais”.
Influência dos astros ou não, realmente me entrego sempre sempre sempre sempre sempre sempre. Me entrego demais. E quando chegam aqueles dias difíceis, que me referi no início, e tudo que você quer é um ouvido, um ombro, um amigo, o você tem é um não. Prefiro não chamar de decepção. Chorei, pela segunda vez.
Por estes poucos amigos, os verdadeiros, aqueles que são pra vida inteira, sou capaz de viver e morrer. Como disse o saudoso Vinicius de Moraes:

"Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos
os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!”

A esta altura você deve estar se perguntando: onde está o cão nesta história? Se você ainda não teve um cachorro, pense nisso! São o maior exemplo de lealdade neste mundo. E nestes dias assim, mais ou menos, você não se sentirá “somente mais um na multidão”. Se for alérgico, se não for permitido animais de estimação em seu edifício ou se você não tem tempo para cuidar de um cão, assista Meu Cachorro Spike. É baseado em uma história real.

A foto é do Bhremer, meu maior, mais leal e verdadeiro amigo.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

As pessoas ainda se afogam e os meninos soltam pipa


Quarta-feira de cinzas, praia cheia, crianças, ressaca, água gelada e cristalina com direito a peixinhos. Eu, como boa moradora de Vila Isabel e foliã que sou, estava no grupo da ressaca. Ressaca só da danada da cerveja, porque dos blocos de rua do carnaval carioca, desses não! Aliás, na concentração do Quizomba – cada vez mais cheio, diga-se de passagem – os foliões gritavam: “ô ô ô ô ô ô ô ô o Rio é melhor que Salvador. A velha história. Não conheço o carnaval de Salvador, por isso não posso dizer. Mas do Rio, esse posso. E o melhor, ainda não terminou!
Voltando a praia, as pessoas que se afogam e aos meninos que soltam pipa, só para ilustrar meu devaneio, vira e mexe fico enquadrando em minha mente cenas do dia-a-dia. Um sorriso perdido, uma banca de frutas, o trânsito, a lua (sempre), o anoitecer, pés, ou melhor, sapatos, enfim, enquadrando e fotografando na mente. Então hoje, nessa ensolarada quarta de cinzas, me vi diante de um desses quadros.
Um menino de sunga vermelha soltava pipa na praia enquanto ao fundo, via um helicóptero salvando um banhista que estava se afogando. O mar estava cristalino, com peixinhos, com água muito gelada e muito agitada. Esta com certeza é uma cena que se repete nos finais de semana ensolarados pelas praias deste país. Mas pense nesse quadro. O menino, a pipa e o salvamento. Sem ligar para o helicóptero e toda a agitação do povo curioso ao redor, o menino soltava pipa.
Estava assim: em primeiro plano, o menino, de sunga vermelha. Ele tinha uns 6, 7 anos. Estava de lado para mim, de costas para o mar. A pipa não estava tão alta, era pequena e vermelha também. Ao fundo, no segundo plano, uma corda que ligava o helicóptero à rede que “pescava” o banhista afogado.
Eu havia acabado de ler a sessão de cartas de uma revista semanal. Havia me emocionado com declarações de leitores sobre a reportagem da semana anterior que falava da barbárie que vitimou João Hélio. Já tinha terminado a leitura, mas não o pensamento. Foi quando o som do helicóptero me chamou atenção e quando procurei a aeronave no céu e vi o menino de sunga vermelha, em primeiro plano. O nome dele? É Igor – sempre chamo as pessoas pelo nome - , ouvi quando sua mãe chamava-o, disputando atenção com a pipa.
As férias da praia, talvez, tivessem me feito esquecer que as pessoas se afogam. Perigoso, mas normal. Quanto ao Igor, o menino da sunga de vermelha, não sei porque o enquadrei. Acho que foram as cartas que li. Que eu não leve mais um ano para ir a praia e lembrar que as pessoas ainda se afogam. E que sempre os meninos possam soltar pipas.

segunda-feira, dezembro 18, 2006

A mágica do tempo



Não é possível sequer imaginar como o homem na época primitiva vivia dias e dias sem aprender nada. Simplesmente vagava no tempo. Hoje, absorvemos mais em uma um ano de vida que os nossos pais absorveram em uma década ou mais. Engraçado é ver como essa correria frenética que a chamada era do conhecimento nos proporciona, nos faz desejar que o um dia tenha mais que 24 horas. Nunca temos tempo para nada e precisamos sempre de mais tempo para tentar fazer tudo.
As agendas são palm. Os rádios mp3, 4, 5... Os computadores agora são levados na mochila. O saldo bancário consultado pelo celular. Conversas instantâneas da escrivaninha do quarto com o “ficante” lá do Pará. O jornal impresso só lemos completo o de domingo.Nos dias úteis só as manchetes e as chamadas das principais notícias das páginas que salvamos como padrão na abertura da internet. Paquera? Namoro? Não, não há mais tempo para isso. Faz-se tudo pela rede, “você pode estar namorando daqui a cinco minutos”! E o tempo está passando. Os filhos? Ah... os filhos. Esses controlamos pelo celular e pelo boletim. Porque encontros só no final de semana em que não há acampamento na escola ou plantão no trabalho. Aliás, boletim esse que você acessa no computador.
Sentiremos falta da carta escrita a mão, das letras de máquina de escrever, das ligações telefônicas para desejar o feliz natal, de tirar aquela última foto do filme da máquina, de marcar encontros com antecedência e não precisar de celular, de tirar férias e esquecer de tudo. Sentiremos saudades da casa de vó no domingo, da comida caseira que só babá sabe fazer, do banco alto do ônibus, de jogar bola no paralelepípedo, de água da praia limpa, de tomar banho de mangueira na rua, do baile, da piscada de olho, do cheiro de chuva na terra, de dançar para o sol sair e dar praia, de cadernos de perguntas, de bilhetinho na aula, de dançar sozinho, de rir sozinho também, de cinemas enormes e dos lanterninhas, de festa americana, de... tanta coisa. É preciso uma reengenharia do tempo para termos tempo para esta falta de tempo. Aliás, sábio quem inventou o tempo. Quanta mágica há na exata divisão do ano, dos meses, dias, horas, segundos. São precisamente 9.636.000 segundos em um ano de 365 dias e 12 meses com 24 horas por dia. A feliz idéia de uma “virada”. De terminar em 12 e recomeçar do 1. Todos se renovam com o recomeço. Respiramos fundo, damos 7 pulinhos, comemos três sementes, 7 uvas, usamos branco, fazemos pedidos, choramos, abraçamos e já estamos no novo ano. Então, começa tudo outra vez. E que nas nossas promessas de um ano bom encontremos tempo para dar mais tempo para tudo.

quinta-feira, outubro 05, 2006

A arte de inovar


Recentemente, precisei fazer um trabalho sobre inovação. Qual não foi minha surpresa, como fruto de qualquer pesquisa, adquiri muito conhecimento. No entanto, o mais interessante foi me deparar com dezenas de criações e inovações que surgiram ao longo do tempo. Eram adaptações de objetos já existentes para melhor forma de utilização ou para forma de aproveitamento, ou simplesmente, uma invenção diferente de qualquer coisa que existia que traria diversos benefícios ao homem.
O clipe, por exemplo. É coisa recente, acredita? E quem se imagina hoje sem ter um clipe na mesa do escritório? Há mais ou menos um século, em 1899 um inventor norueguês, de conhecimentos vastos na ciência da matemática e eletrônica, inventou o clipe para papel. No entanto, Johan Vaaler não é o responsável por este patente, que é atribuída a uma empresa inglesa. Desde então, o clipe sofre mutações de cor, tamanho, material de fabricação, design, mas não deixa de ser objeto útil e simples.
Inovações como a criação do clipe devem ser cada vez mais praticadas pelas organizações. Mudar a posição do computador, trocar as posições dos utensílios da mesa do escritório, temporariamente assumir a responsabilidade de outro executivo, mudar a embalagem de um produto, são exemplos de inovações simples que podem trazer benefícios para uma empresa e fazer toda a diferença.
Mudar pelo simples prazer da mudança já é uma inovação. Se fizer a mudança da posição do computador com certeza já irá ver o ambiente de trabalho de outro ângulo, pode estar mais próximo do colega de equipe ou de frente para a janela que ao fundo lhe presenteia com o Cristo de braços abertos. Deste dia em diante, os finais de tarde podem se tornar mais agradáveis e o final do expediente não será um martírio, mas um prazer. Este é um exemplo simples que poderá trazer um aumento de produtividade de um funcionário.
Agora pelo lado comercial, que se faça uma análise da trajetória do refrigerante de cola mais vendido no mundo, a Coca-Cola. Em 1886, era apenas uma bebida refrescante. Durante duas décadas, a empresa soube inovar e desta forma conquistou o primeiro lugar no mercado de refrigerantes. É marca reconhecida e consumida mundialmente. O formato de suas garrafas, desde o início sempre foram uma identidade. Basta colocar uma sombra do modelo da garrafinha de Coca-Cola que todos já reconhecem o produto.
Que eu possa me lembrar, conheci a garrafa de 1 litro, em vidro e com chapinhas de metal que eram abertas com auxílio de abridores. As garrafas eram retornáveis, ou seja, era preciso levar o “casco”. Para comprar outra. Hoje, há diversos tamanhos, em vidro, em material reciclável. A campanha publicitária na época do lançamento das chamadas garrafas pet, de 2 litros, reforçava a vantagem que elas eram inquebráveis. Ah! A tampa é de rosca e não precisamos mais colocar umas tampas da época da vovó para o gás não sair.
A Coca-cola, como outras diversas invenções, que sofreram mudanças ao longo de sua trajetória, acabam fazendo história. No mundo empresarial, esta prática também pode trazer resultados positivos para o negócio. É preciso antes de tudo estar atento as possibilidades que o mercado oferece, o que não é muito difícil nestes tempos em que as mudanças são velozes. As organizações precisam encontrar um equilíbrio entre o risco e o retorno que aquela inovação irá trazer. E, principalmente, não ter medo de arriscar, muita cautela pode ser o risco.
A inovação é uma questão de sobrevivência não só para o meio empresarial, mas para os profissionais também. Aquele que não inovar “será engolido” por aqueles que aproveitaram as portas que se abriram. Inove, mude e não fique pra trás.